google-site-verification: google7721a69443d11381.html A medicina de hoje é a mesma da Grécia Antiga? Sobre médicos de escravos e médicos de homens livres

A medicina de hoje é a mesma da Grécia Antiga? Sobre médicos de escravos e médicos de homens livres

March 25, 2016

 

      No livro Leis de Platão, fala-se de dois tipos de médicos: o médico dos livres e o médico dos escravos.

 

 

 

        O médico dos escravos era treinado para desempenhar o ofício de modo a devolver logo os escravos ao trabalho e não transtornar seus donos. Ele desenvolvia uma “techne” baseada na cirurgia, procedimentos e medicalização; prescrevia suas receitas, quase impostas, passando rapidamente de um caso de doença a outro.

 

    Já o médico dos livres, arguía o paciente sobre a sua situação de vida atual, investigava as possíveis causas do adoecimento, ouvia o relato das impressões do paciente sobre sua doença e aprendia com ele, indagava os amigos e familiares sobre os hábitos e comportamentos do doente, comunicava suas impressões sobre a doença com explicações de fisiologia, das ligações cosmológicas com a doença, de acordo com o clima, os ventos, a dieta praticada e, por fim, persuadia o doente a eliminar os fatores externos causadores do distúrbio e a praticar algumas regras que poderiam permitir seu próprio corpo recuperar a saúde, deixando a força de cura existente em seu corpo agir. Ele só intervinha caso o organismo não estivesse em condições de reagir sozinho com dieta adequada à fase da doença, acrescentava banhos e procedimentos suaves de modo a não agredir mais esse organismo em luta para voltar ao equilíbrio. Platão brinca que se um médico dos escravos visse o outro atuando diria: “você está fazendo uma conferência e não curando seu paciente.

 

      A base da medicina preconizada aos livres era fundamentada na moderação quanto aos hábitos e no controle das emoções e exercícios que, descontrolados, podem adoecer o corpo e a “alma”, gerando desequilíbrios familiares e sociais.

 

      Com esse procedimento a medicina passou a ser considerada o esteio prático destinado a um fim ético, e, com isso, tornou-se a inspiração e prática que fundamentou toda a filosofia do mundo grego. A medicina consistia num importante paradigma orientador e estruturante da organização política e social do mundo grego.

 

     Atualmente, o consumismo de procedimentos médicos em lugar da busca pela verdadeira cura e da educação para a saúde têm contribuído para o adoecimento do corpo e da alma em nossa sociedade.  

 

     A medicina pode e deve ser uma orientadora para as reflexões que devemos fazer sobre nosso estilo de vida, sobretudo quando o corpo sinaliza, por meio dos sintomas e sinais de doença, que algo não vai bem em nossa vida. 

 

 

 

      

 

 

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